segunda-feira, 10 de junho de 2013

...outra tentativa de frustração.

Da enxurrada que me ocorre a essa hora da noite, a que mais me incomoda é a falta do que falar.
Eu me vejo nessa situação sempre que a angústia vira a esquina da preguiça e cruza a alameda do medo com a marginal insegurança.
Tudo fica meio fosco e os dedos tremem, e o suor ataca os pés, e o tracinho fica piscando por minutos a fio na caixinha branca, e, finalmente, nada sai.
É de uma crueldade sem tamanho. Existe alguém dentro de alguém que prega essa peça comigo, ou com ele mesmo, toda vez.
O que resta a esse monte de carne em demorado estado de decadência é escrever. O resto que se dane!
Mas como posso mandar às favas o alimento da escrita?
Outro dia me ocorreu escrever sobre um cara inseguro sobre a fase da vida a qual atravessa. Esse cara não percebeu que estava na hora de dar um outro rumo para sua vida, que já era bom começar a planejar um casamento, formar uma família e ter filhos. Só que não era bem assim, pensar e escrever. A coisa é complicada.
Pois bem, foi lá e escreveu qualquer coisa sem sentido que pudesse por pra fora a história desse homenzinho imaginário.
O ponto final chegou (transformei em reticências não sei por que) e a angústia não passou.
Puta que pariu! - exclamei com o pé esquerdo enlaçando um fio por debaixo da mesa
Foda-se! - observou o outro membro oficial habitante dessa tal massa corpórea que se expressa
Voltemos! - concordamos todos
Já que a tal suadeira não passou (diferente dos minutos que voaram deixando impossível a leitura de 2 capítulos do livro da cabeceira) eu decidi escrever mais.
Algo diferente me brotou dos neurônios. Escrever sobre escrever sobre escrever!
Gênio! - comemoraram eu, meu teclado e as gerações futuras
De sorriso armado nos lábios, feed de notícias zerado, tracinho piscando, letra D!

(nota do editor: apesar de a angústia ter descido para o fígado em segurança e o quadro clínico ter se mantido estável no processo, o texto ficou uma merda)

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